Respeito e Tolerância

Vivemos em um mundo onde as pessoas estão divididas em todos os tipos de grupos baseados na nacionalidade, religião, idade, gênero, raça, etc. Por causa disto, é fácil olhar para os outros, não como indivíduos, mas de acordo com o grupo ao qual pertencem. Isto nos impede de enxergar a pessoa que realmente ele ou ela é. Começamos a fazer suposições sobre a pessoa baseado no que pensamos sobre o grupo dele ou dela. Isto causa muitos conflitos. É muito importante aprender a respeitar os outros, mesmo se eles são diferentes do que somos.

Um líder precisa aprender a trabalhar com pessoas diversas. Bons líderes aprendem a equilibrar as diferentes opiniões e interesses das pessoas que estão conduzindo. Mesmo os pais – e todos os pais são líderes – devem compreender as diferenças entre seus filhos, que são meninos e meninas, mais velhos e mais jovens, e diferentes um do outro em interesses, talentos, e personalidade. Para assumir qualquer papel de liderança na vida, devemos aprender a respeitar e tolerar diferenças.

RESPEITO

Enquanto crescemos, esperamos pelo respeito da outra pessoa e queremos demonstrar respeito pela outra pessoa. Respeito significa demonstrar consideração pela dignidade de alguém ou de algo. Isto exige as três seguintes formas:

  • Respeito por mim mesmo
  • Respeito pelos outros
  • Respeito por todas as formas de vida, pelo ambiente, e também pelas coisas feitas pelo ser humano.

Respeitar a mim mesmo exige tratar a vida – em ambas as dimensões física e espiritual – como tendo valor. Esse é o motivo pelo qual é errado ter comportamento autodestrutivo como abuso de drogas e álcool. De fato, se não respeitamos e amamos a nós mesmos, é muito difícil respeitar e amar os outros.

Respeitar os outros requer que tratemos todos os seres humanos – mesmo aqueles com quem discordamos – como tendo dignidade, direitos, e valores iguais aos nossos próprios. Essa é a Regra Dourada – “Tratar os outros como você quer ser tratado.” Respeitar toda a complexa rede da vida proíbe a crueldade aos animais, e nos chama a agir com cuidado com o ambiente natural, o frágil ecossistema do qual toda a vida depende. Isto inclui respeito por nossa casa, nossa escola, nosso próprio quarto, ou espaço, e a responsabilidade conectada com cuidar dessas coisas.

Devemos aprender como respeitar os outros em nossas famílias. Aprendemos pela forma como nossos pais nos tratam, e pela forma que vemos eles tratarem um ao outro. Eles nos ensinam a não batermos em nossos irmãos e sermos polidos com as visitas. A maioria dos pais estão preocupados em ensinar os seus filhos a se comportarem bem, ter boas maneiras, e tratar as pessoas respeitosamente. Eles sabem que cortesia e boas maneiras capacitam as pessoas a estarem umas com as outras e resolverem problemas de maneira pacífica. Se somos rudes, podemos esperar que nossos pais nos ensinem uma maneira melhor. Na palavra e na ação, nossos pais também nos ensinam a respeitar adequadamente. Eles nos ensinam a manusear as coisas com cuidado e não pegar as coisas que pertençam aos outros.

Tudo isto é para nos ajudar a desenvolver o coração correto em direção aos outros, para nos ajudar a entender que, quando demonstramos desrespeito para alguém, estamos dizendo: “Você não tem muito valor. Seus pensamentos e sentimentos são de pouca importância.” Demonstraremos respeito quando compreendemos que somos todos, parte da família humana, qualquer que seja nossa origem, raça, nacionalidade, ou religião. Cada pessoa tem valor único. Uma vez que compreendemos isso, nunca poderemos tratar mal ou abusar das outras pessoas, mas tratar os outros com o respeito que gostaríamos que fosse demonstrado para nós mesmos.

TOLERÂNCIA DAS DIFERENÇAS

As pessoas que sentem muito intensamente sobre algo, freqüentemente encontram dificuldade para respeitar aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Acreditamos que estamos certos, o que significa que aqueles que discordam de nós devem estar errados. Nesses casos, podemos até mesmos considerar essas pessoas como nossos inimigos, não porque elas tenham feito algo para nós pessoalmente, mas apenas porque suas crenças não são as mesmas como as nossas. Podemos convencer a nós mesmos que as crenças dessas pessoas não estão apenas erradas, mas que são também perigosas, e poderemos vê-las como inimigas da sociedade.

Este é o motivo pelo qual por toda a história, pessoas religiosas têm lutado e até mesmo assassinado umas as outras. Em ambos os lados destes conflitos, poderíamos encontrar pessoas sinceras e morais, mas não obstante, que não podem tolerar o ponto de vista umas das outras. Felizmente, em muitos países, uma tradição de tolerância religiosa tem se desenvolvido para que as pessoas não sejam discriminadas ou punidas pelo que elas acreditam tanto quanto no passado.

Tolerar diferentes opiniões realmente fortalece uma sociedade, como evidenciado pelo crescimento das democracias durante mais de cem anos. A democracia está baseada na tolerância das diferentes opiniões, no reconhecimento dos direitos universais apesar das diferenças, e na regra majoritária com a proteção das minorias. Sociedades democráticas tendem a prosperar enquanto o potencial humano dentro delas está liberado, devido a estas liberdades, proteções e tolerância das diferenças.  Ainda sim, há limites para a tolerância. Um dos problemas das democracias modernas é sua tendência de colocar pouco ou nenhum limite no que elas tolerarão em nome da liberdade de expressão. A democracia funciona melhor quando pessoas virtuosas utilizam sua liberdade para agir com responsabilidade.

EMPATIA

Uma pessoa que pega uma lança para cutucar um filhote de pássaro deveria fazer isto primeiro para ela mesma, para sentir como isto dói.

 – provérbio Africano –

Uma das formas que podemos desenvolver e aprofundar nosso respeito e tolerância pelas outras pessoas é através da empatia. Quando temos empatia com alguém, podemos compreender a forma como ele ou ela sente e pensa. Podemos não necessariamente concordar, mas podemos ao menos compreender e ver o mundo através dos olhos dele ou dela. Há um sábio ditado indígena americano: “Não julgue a outra pessoa até que você tenha caminhado uma milha com os sapatos dela.”

Aprender a ter empatia não é fácil. É um desafio para nosso coração, crescer e estender a si mesmo para aceitar os outros. Isto significa desenvolver algum tipo de conexão emocional com eles. Aqui estão algumas perguntas que podemos fazer para nós mesmos a fim de compreender mais profundamente a situação da outra pessoa. (Precisamos parar para perguntar para nós mesmos estas questões, especialmente quando estamos em desacordo com outra pessoa):

  1. Como a pessoa sente?
  2. Como eu sentiria se estivesse nessa situação?
  3. Como eu gostaria que a outra pessoa agisse, se eu fosse essa pessoa?

A empatia conduz ao entendimento e compaixão. Quando procuramos compreender e apreciar as diferenças, podemos evitar conflitos destrutivos e sentimentos negativos. A empatia nos faz perguntar para nós mesmos: “Se eu estivesse na situação dessa pessoa, como eu gostaria de ser tratado?” A maioria das pessoas responderia de uma ou mais das seguintes maneiras:

  1. Eu gostaria de ser tratado como uma pessoa com valor e não ser usado pelas outras pessoas.
  2. Eu gostaria de ser tratado com carinho, e não com violência.
  3. Eu gostaria de ser tratado como um indivíduo, e não apenas como um membro de determinado grupo.

GENERALIZAÇÕES

O ponto número 3 da lista acima traz a questão de criar generalizações e pessoas estereotipadas de acordo com o grupo ao qual pertencem. Citamos no início do capítulo que fazer isto pode levar ao conflito, se fracassamos em respeitar e tolerar as diferenças entre os grupos.

Em certo sentido generalizar é inevitável. A primeira vez que encontramos alguém de uma escola específica, país, ou grupo religioso, provavelmente formamos uma impressão geral do que tais pessoas são a partir desta pessoa. Este é o motivo pelo qual é importante para uma pessoa se comportar sensivelmente, quando ele ou ela vai para o exterior. Quando encontramos um estrangeiro, quer compreendamos isto ou não, tendemos a olhar para ele ou ela como um representante de seu país, e julgar o país deste modo. Se tivemos uma experiência ruim com essa pessoa, provavelmente assumiremos que todas as pessoas daquele país são como ele ou ela. Se mais tarde temos a oportunidade de encontrar outras pessoas desse país, podemos descobrir que a primeira pessoa não era realmente um bom representante, e deste modo, modificaremos nossa imagem do país.

O problema é que generalizações incorretas podem solidificar estereótipos – imagens muito simplificadas e rígidas que estão freqüentemente erradas e/ou exageradas. Estereótipos geralmente contém um grão de verdade, mas é somente um grão, e não é toda a verdade sobre a pessoa. Estereotipar é o resultado da preguiça e da perda intelectual. Uma pessoa não pode achar ruim em aprender os fatos completos e, ao invés, confiar nas opiniões de segunda mão dos outros, sem verificar sua precisão. Ele ou ela aceita estas opiniões porque elas se adaptam para prejudicar esta outra pessoa.

Às vezes estereótipos podem ser favoráveis (“Todo homem inglês é gentil”) ou engraçados (“Escoceses têm bolsos fundos e braços curtos”). Contudo, eles também podem ser maliciosos (“Judeus são avarentos”).

Estereótipos maliciosos podem existir devido a uma atitude de superioridade racial e nacional combinada com ignorância. Estereótipos negativos freqüentemente são feitos por pessoas que temem o que desconhecem, e sentem antipatia por aqueles que são diferentes. Tais pessoas tipicamente se recusarão a reconhecer a evidência que não se ajustam ao estereótipo que criaram de um grupo específico. Pessoas que não se ajustam ao estereótipo podem ser odiadas até mesmo mais do que aquelas que se ajustam, porque elas justificaram a mentira do estereótipo e desafiaram as suposições das pessoas.

PRECONCEITO

Estereotipar conduz para atitudes de preconceito na direção de grupos e pessoas. Preconceito significa um julgamento sobre alguém ou algo antes da verdade ser conhecida sobre este indivíduo específico. Por causa do preconceito, uma pessoa pode ser julgada culpada, não devido aos fatos de uma situação, mas simplesmente por causa do grupo que ele ou ela pertence. Esta atitude resulta no tratamento desumano de pessoas várias e várias vezes por toda a história.

Por centenas de anos, mesmo após a escravidão ter acabado, Afro-americanos foram objetos de grandes maus tratos nos Estados Unidos por causa do preconceito. Na Alemanha nazista, o anti-semitismo finalmente conduziu ao Holocausto, quando judeus eram assassinados em campos de concentração. A matança tribal em Burundi e Ruanda é outro exemplo na trágica história de preconceito e intolerância.

O preconceito é geralmente transmitido na família de pais para filhos. Carregado de emoção, o preconceito geralmente não tem base racional. Preconceito pode ser transmitido através da mídia e incentivado por políticos tentando obter votos através do ataque da minoria impopular. Preconceito e estereótipos são espalhados através de calúnias e piadas étnicas. As pessoas que se envolvem nesse “humor” podem dizer para si mesmas que o que elas estão fazendo está tudo bem, enquanto não há ninguém do grupo alvejado presente para ouvir isto. Mas ao falar desta maneira, e ao ouvir e rir de tais piadas, uma atmosfera venenosa de desrespeito e intolerância com os membros desse grupo é criada e espalhada.

Sendo que o preconceito representa uma ausência elementar de respeito e tolerância, isto é prejudicial tanto para as pessoas que praticam este ato (porque é estreito e injusto e pode conduzi-las a fazer coisas abusivas), como e para aqueles que são vítimas do preconceito (sendo que elas podem ser vítimas dos abusos). É responsabilidade de cada pessoa examinar as idéias e pontos de vista herdados de sua família e sociedade, e determinar quão exatas eles são. Deveríamos constantemente estar em guarda contra estereótipos e preconceito. Precisamos estar observando constantemente em nossos corações e perguntando para nós mesmos quanto realmente conhecemos sobre os vários grupos de pessoas, antes de começarmos a formar opiniões sobre eles. Este é um importante passo no caminho de aprender a respeitar e tolerar os outros que são diferentes de nós, mas que não obstante, são da mesma categoria de seres humanos.

Anúncios

Deixar um comentário

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s