Sobre Procrastinação

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Imagine essa situação: alguém acorda em um novo dia, todo disposto a fazer algo bom, produtivo, querendo fazer algo para contribuir com sua comunidade ou seu crescimento individual, ou mesmo pronto para terminar uma tarefa, atividade ou responsabilidade que precisa ser concluída. Mas, ao final do dia, esse alguém nota que cumpriu muito pouco ou nada daquilo que tinha planejado naquela manhã, isso em razão de um ciclo vicioso de várias atividades de menor importância e relevância durante o dia, como navegar na internet despropositadamente, tirar alguns “cochilos rápidos”, paradas para lanches e coisas assim. Com isso, esse alguém acaba frustrado por não ter conseguido realizar as coisas que gostaria de ter feito, e desejando que tivesse mais tempo.

Se identificou? Identificou alguém? Pois é, esse é um fenômeno que tem tomado proporções colossais nos dias de hoje, em razão, sobretudo, do grande número de meios tecnológicos (internet, smartphones…) que dispomos para nos manter conectados com o mundo, e que acabam por minar nossa atenção daquilo que desejamos realizar e, consequentemente, impedindo-nos de atingirmos a plena realização. É o fenômeno do “deixa pra depois porque vai dar tempo”, mas que atende oficialmente pelo nome de Procrastinação.

Nessa postagem, discutiremos um pouco sobre esse fenômeno e como ele afeta a nossa vida – física e espiritual –, e depois apresentaremos algumas ideias para que possamos contorná-lo, a fim de poder viver vidas mais plenas.

Bem, primeiramente definamos o que é, de verdade, a procrastinação. Em síntese, de acordo com o dicio.com.br, esse termo significa “Transferir a realização de alguma coisa para um outro momento; prorrogar para outro dia”. Isso, no final das contas, acaba se tratando de deixar de fazer algo que é de fato importante (e que, se realizada, traria mais satisfação e realização) naquele momento, para fazer algo de pouca ou nenhuma importância prática, mas que pode saciar uma vontade sua naquele momento. Mas, por que isso acontece?

O ser humano é um ser que, biológica e psicologicamente, é movido por recompensas (‘recompensa’ no sentido de resultado positivo de uma ação; a alegria, para o realizador, resultante de um esforço realizado). Tudo o que fazemos destina-se a conseguir uma recompensa, seja ela obter uma melhor qualidade de vida, contribuir com a comunidade, proporcionar alegria a outra pessoa, ou mesmo fazer um trabalho bem feito e sentir-se feliz por tê-lo feito. Como o Pai Moon, fundador da fé unificacionista, ensina, mesmo Deus tinha o objetivo de sentir alegria através de sua Criação.

Até aí, nada de mais.

Acontece que as ações que produzem as recompensas mais satisfatórias e duradouras são aquelas que exigem uma carga maior de esforços, justamente o oposto daquilo que o ser humano almeja – resultados duradouros produzidos com esforço mínimo. Então, nessa balança, há a tendência de que optemos por tarefas que exijam menor esforço e que tragam satisfação momentânea (por exemplo, aquela olhadinha no Instagram, Facebook ou YouTube; aquele cafezinho com conversa no meio de uma atividade; aquela volta pra “tomar um ar”). Não que seja algo negativo fazer coisas dessa natureza. O problema encontra-se quando fazemos essas coisas durante ou ao invés de atividades mais importantes e significativas, o que acaba gerando alguns resultados, como: perda de foco na atividade; redução do tempo útil para o cumprimento de uma tarefa e, sobretudo; o sentimento de culpa por ter procrastinado.

"Estou muito ocupado fazendo coisas que eu não preciso fazer para evitar fazer qualquer coisa que eu realmente deveria estar fazendo."

“Estou muito ocupado fazendo coisas que eu não preciso fazer para evitar fazer qualquer coisa que eu realmente deveria estar fazendo.”

E esse ato de procrastinar acaba tendo efeitos muito negativos em nossas vidas, tanto física quanto espiritual. Fisicamente gera os impactos negativos de que, uma vez nos deixamos levar pelo desejo de satisfação momentânea e de pouco esforço, colocamos de lado as coisas que realmente importam (para agora ou para o futuro), a exemplo de:

  • Cumprir responsabilidades, tarefas e atribuições;

  • Investir no desenvolvimento individual (ler um bom livro, aprender um novo idioma, aprender uma nova habilidade);

  • Se engajar numa atividade voluntária ou em algo que possa contribuir com a comunidade em que se vive;

  • Aproveitar momentos marcantes com a família ou entes queridos; e

  • Fazer exercícios físicos (em entrevista ao Época Negócios, o dr. Dráuzio Varella afirmou que “Se você não consegue tirar 30 minutos por dia para fazer exercício, está vivendo errado”).

Do ponto de vista espiritual, por sua vez, a procrastinação pode vir da maneira de que, como a atividade religiosa pode não aparentar trazer recompensas das mais imediatas, as pessoas podem vir a postergá-la em prol de atividades de resultados mais palpáveis. Todavia, essa atitude tem seu impacto negativo na medida em que terminará por desequilibrar a balança e harmonia do indivíduo, ou seja, investindo muito em atividades “físicas”, abre-se o flanco para a vulnerabilidade espiritual, e consequentemente, para o não-cumprimento da Porção de Responsabilidade Humana em sua integralidade.

Mas, será que podemos culpar a falta de tempo por tais problemas? Afinal, alguém pode dizer, a procrastinação pode também ser um resultado da falta de tempo para que as pessoas lidem com tantas tarefas, responsabilidades e coisas para fazer diariamente, o que leva as pessoas a se “auto recompensar” com um tempo de descanso – que acaba se estendendo mais do que o desejado.

Bem, eu diria que é mais uma questão de administração de tempo do que “falta de tempo” em si. Em um excelente artigo (em inglês), o blog Art of Manliness resgata um texto de 1910 escrito por Arnold Bennet, cujo tema é algo como “como viver, e não existir, 24 horas por dia”. Em uma das partes desse texto, Bennet compara o tempo a uma democracia perfeita, no sentido de que o tempo é dado de forma igual para, literalmente, todos os indivíduos no mundo (24 horas), de modo que cada um pode fazer o que bem entender com esse recurso que “[…] apesar de gloriosamente regular, é cruelmente restrito”.

Estendo o argumento dele numa comparação entre as pessoas reconhecidamente bem-sucedidas em seus respectivos campos da vida (empresários, líderes religiosos, empreendedores, gênios da tecnologia, artistas…) e as outras não tão bem-sucedidas. Qual seria a diferença essencial entre os dois grupos, uma vez que ambos dispõem das mesmas 24 horas diárias para fazer tudo o que quiserem fazer? A chave, nesse ponto, é a administração do tempo, ou seja, como cada um decide utilizar/aproveitar esse recurso de que dispõem. Mas essa habilidade de administrar o tempo não surge da noite para o dia, mas sim, é fruto do hábito.

Confesso que não posso dar grandes sugestões nesse sentido, como essas que o Hypescience, o próprio Art of Manliness (em inglês) e o blog Mel-Meow dão, mas gostaria de compartilhar o método que eu uso para administrar meu tempo. É um método que eu li no site Mashable (mas cujo artigo propriamente dito não me recordo), e se chama 30/30.

Originalmente, a ideia é você se dedicar incessantemente a uma atividade durante meia hora e depois se recompensar/descansar, conscientemente, durante outra meia hora. Acreditem, meia hora acaba sendo bastante tempo quando se foca somente em uma coisa nesse tempo. Mas no meu caso em específico, eu lido com algumas coisas que levariam muito tempo pra serem feitas em ciclos de meia hora (como pesquisas e artigos científicos); então adaptei o modelo original, assim: para as atividades que eu sei que exigem mais tempo e esforço mental, eu dedico 1 hora incessante e longe de barulhos para realizar essa tarefa; e quando esse tempo termina, me dou 30 minutos de recompensa (tempo livre), e depois parto para outras atividades seguindo o ciclo de meia hora, como leitura, exercícios e estudo de idiomas, mas só com 15 minutos de intervalo entre cada uma. Pode não parecer muita coisa, mas mesmo eu não tendo aperfeiçoado o cumprimento dele, é um método que tem me auxiliado a extrair o máximo do meu dia e a realizar bastante coisa que antes eu não conseguia dar conta.

Mas caso você tenha se interessado e queira saber mais, eu recomendo fortemente que dê uma olhada nos links ali em cima (especialmente no da Mel-Meow, que é uma história em quadrinhos sensacional sobre a procrastinação). Afinal, creio que ninguém queira só “existir” no mundo e passar despercebido pela própria vida, e o meio de evitar isso é realizar o máximo possível de coisas significativas, para nós e para o mundo, com o tempo que temos, o que pode ser conseguido com o hábito da melhor administração do tempo.

E você, acha que a procrastinação é um problema de fato? Quais métodos você usa para driblar a procrastinação? Compartilha com a gente aí nos comentários!

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