Como falar com um ateu sobre Deus

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Nos últimos tempos, o ateísmo e pessoas que seguem tal pensamento – e suas eventuais consequências – têm aumentado grandemente em número e relevância social. E não raras vezes nos deparamos com essas pessoas em nossa vida diária, em nossos círculos de vivência.

O seguinte artigo, escrito originalmente por Cheryl Roth para o blog da comunidade unificacionista Faith Fusion (New Hampshire, EUA), pode fornecer alguns insights sobre como melhorar nossa aproximação com essas pessoas, otimizando assim a realização da nossa missão de anunciar os Pais Celestiais e Verdadeiros Pais para o mundo.

 

Como falar com um ateu sobre Deus

Não usar a palavra “Deus” é um bom lugar para se começar. Da minha experiência, a maioria dos ateus tem muitos problemas com essa palavra e com toda a bagagem que ela carrega. Assim que você disser essa palavra, ela conjura imagens lembrando Gandalf, de O Senhor dos Anéis ou Dumbledore, de Harry Potter. Isso para não dizer toda a história de conflitos humanos que atribuímos como sendo, de alguma maneira, parte do plano do Criador.

Na mente de um ateu (e na de qualquer pessoa, na verdade) é difícil separar a terminologia dos conceitos que têm sido historicamente associados a ela. Então, não vá por aí. Comece de outro lugar.

 

De onde veio a vida humana?

Todas as coisas vêm de algum lugar – você veio de seus pais e ele vieram dos pais deles. Podemos seguir, cientificamente, todo o caminho até a Eva mitocondrial. Mas, de onde ela veio?

Talvez ela tenha vindo de um símio evoluído, que também pode ser rastreado até algo diferente que evoluiu por um longo período de tempo. Se você seguir a lógica da evolução, você deve continuar rastreando a vida para existências menores e menos evoluídas até você chegar em – o quê? A origem, talvez, que pode ser algum tipo de energia invisível, mas nós não estamos realmente certos de onde ela veio também.

É semelhante a seguir um rio na direção oposta. O rio continua a ficar menor até atingir a fonte, que está no subsolo, além de nossa visão. Se você deseja ver de onde no subsolo ele vem, terá que cavar realmente fundo. Mas mesmo se você encontrar a origem da água no subsolo, você saberá como ela chegou lá ou como ela veio a existir?

 

Além de nossa percepção

Um dos maiores problemas em comunicar ideias é nossa percepção limitada da realidade, assim como nossa ainda maior limitação a respeito de explicar ideias que não conseguimos captar com nossos 5 sentidos físicos. Podemos explicar o que sabemos, e sabemos o que podemos explicar. Mas ainda há muito que não sabemos, não podemos ver e mesmo que não podemos imaginar.

Isso me faz lembrar de um bebê no útero da mãe. O bebê pode ver como se parece a mãe? O bebê sabe como ele veio a existir dentro da barriga da mãe? O bebê tem a mais remota compreensão do está por vir (nascimento), ou de como é a vida no outro lado?

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Cientistas e psicólogos chegaram à conclusão de que o feto é de fato afetado pelas emoções da mãe e pelo ambiente. É dito que o feto tem consciência por volta do sexto mês de gravidez e que os pensamentos e emoções da mãe tem um papel em modelar a personalidade da criança.

Pelo sexto mês de gravidez o bebê pode ver, ouvir, degustar, sentir, experimentar e até aprender. Mas até mesmo com toda essa capacidade e consciência, o bebê ainda não pode perceber a face de seus pais; eles são invisíveis à criança. O bebê está crescendo em um ambiente seguro onde tudo de que precisa é fornecido, mas não tem a percepção, cognição ou linguagem para compreender ou explicar nada daquilo.

 

No ventre da Origem

A analogia que estou apresentando aqui é a de que somos semelhantes à criança não-nascida que está viva, consciente e correspondendo, até mesmo aprendendo ainda que esteja limitada sobre o quanto pode perceber sobre a vida. Não podemos ver Deus; não podemos mesmo provar que Deus existe, mas alguns de nós temos esse senso de que há algo muito maior lá fora com a qual estamos conectados, mas que está além de nossa percepção.

Desdobramentos recentes em física quântica tem deixado mesmo cientistas  questionando a natureza da realidade. Tudo que pensamos que é sólido é, de fato, apenas energia pura, e toda energia está conectada. Se traçarmos a vida humana até sua origem através da história da evolução, ou através da física, chegaremos ao mesmo ponto, algo invisível que anda não compreendemos completamente.

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Uma explicação Intelectual e Filosófica

O Princípio Divino busca explicar em termos intelectuais, filosóficos e religiosos a natureza da Origem, Fonte ou Criador que nos é invisível. Qualquer explicação será limitada porque ainda “estamos no ventre”, por assim dizer. Entretanto, para as mentes curiosas, há muita profundidade no que ele tem a dizer.

 […] [a Origem] é a realidade absoluta, eterna, auto existente e transcendente de tempo e espaço. A energia fundamental [da Origem] também é eterna, auto existente e absoluta. Ela é a origem de todas as energias e forças que permitem aos seres criados existir. Chamamos a essa energia fundamental de Energia Primária Universal.” (Princípio da Criação, 2.1., Princípio Divino)

Uma curta citação não faz jus a todo o sentido. Entretanto, como fiz mais acima, referências à palavra não-mencionável podem ser editadas e colocadas simplesmente como “a Origem”, somente para prevenir a bagagem negativa de bloquear a compreensão futura.

 

A base é sempre o Amor

Não temos todos que concordar intelectualmente acerca da origem da vida, porque o que podemos provar realmente é limitado. As pessoas precisam de tempo e espaço para explorar sua própria compreensão, e todos tem o livre arbítrio para interpretar e pensar como desejarem. A única coisa que será sempre verdadeira é que os seres humanos precisam existir em um reino de amor a fim de desenvolver seu máximo potencial.

Então, ao invés de discutir sobre a existência ou natureza de um criador, talvez a melhor forma de “explicar” no que acreditamos é amando as outros incondicionalmente. Refletir a natureza da “origem” como amor é nosso direito e propósito, e isso é a base comum com a qual todos podem se relacionar.

 

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Originalmente escrito por Cheryl Roth e publicado no blog da comunidade unificacionista FaithFusion

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5 Comments

      • Eu pularei a parte de não falar sobre “Deus” por enquanto, porque é mais complexa. Mas olhe para o resto: o desconhecimento sobre a origem da vida (e outras questões), a limitação da percepção humana… parece que tudo que esse artigo diz é que não sabemos coisas. Não saber uma coisa não é motivo para acreditar em outra.

        Ou talvez não saber que Deus existe (aqui falando sobre um deus específico) significa que Deus existe? Se a justificativa para acreditar em algum deus é não saber se ele não existe, eu poderia acreditar em qualquer deus.

        O que faz um cético (um tipo específico de ateu) rejeitar a crença em deuses é exatamente perceber que a pessoa que acredita não sabe se o objeto da sua crença é real.

        Então fica a pergunta: você sabe se o seu deus existe ou não? Se sim, como?

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